Pediatria

No berço ou no colo? Saiba tudo sobre o sono dos bebês

Publicado em 09/10/2017

“Aproveita para dormir agora, porque depois vocês vão passar noites acordados ”. Esta é uma das frases mais ouvidas pelas gestantes e por casais que aguardam a chegada de um bebê. Mas nem sempre pode ser assim. Nem sempre há motivo para dramas. É possível contribuir para que o bebê tenha um sono tranquilo e, consequentemente, os pais também possam descansar. A pediatra, Glaunir Maria Foletto, diz que não existe nenhuma fórmula encantada ou receita mágica para que o bebê durma como sonham os pais, já que cada bebê e cada família são únicos e desenvolvem seu próprio ritmo. “Não precisamos aceitar regras de que tem que adormecer no berço ou no colo, o que a mãe sentir melhor deverá fazer”, destaca a médica. 

Glaunir explica que é preciso entender que o sono dos bebês é bem diferente do sono de crianças maiores. “Antes dos quatro meses os bebês dormem muito, em torno de 16 a 18 horas por dia, porém a principal característica é de que seu sono é picado em períodos que podem variar de uma até, no máximo, três horas. É preciso entender que o ritmo de sono está amadurecendo e que bebês pequenos não sabem o que é dia ou noite - dia e noite são iguais para eles”, conta. 

Segundo a médica, os bebês dormem quando estão cansados e acordam quando querem mamar e interagir com os pais, sendo que o tempo que eles dormiram é menos importante do estado de espírito em que eles acordaram. A profissional exemplifica que se um bebê dorme uma hora e acorda sorridente pronto para mamar e interagir, pode-se dizer que ele teve um bom período de sono.

“Depois dos quatro meses o ritmo circadiano de dia e noite começa ser mais perceptível para os bebês, mas eles continuam dormindo muito – 12 a 16 horas, dormem bem durante o dia e durante a noite, e passam a dormir por períodos mais  longos, alguns podem dormir a noite toda, mas em geral ainda acordam à noite para mamar ou interagir”, explica.

No intuito de estabelecer algumas orientações de bons hábitos de sono a Academia Americana de Pediatria estabeleceu que: uma boa qualidade de sono melhora a atenção, o comportamento, a memória, a regulação emocional fica mais fácil e melhora a qualidade de vida.

Nesse sentido, algumas recomendações foram propostas:

  • Estabelecer uma rotina familiar (sem treinamentos) que inclua o bebê, um banho relaxante, uma música, uma história a ser contada, uma menor intensidade de luz gradualmente ao cair do dia;
  • Reconhecer quando a criança esta cansada, esfrega os olhos, resmunga, pisca, se aninha em nosso colo;
  • Não deixar que a criança cansada deixe de dormir, pois, por incrível que pareça, quanto mais cansado, mais difícil de dormir ficará para o bebê;
  • Lembrar sempre que a medida certa para cada bebê é aquela em que ele está feliz e alegre, pronto para interagir e mamar.

Glaunir enfatiza que bebês muito pequenos - antes dos quatro meses - não têm rotinas. Dormem muito nos horários que querem e acordam quantas vezes forem necessárias para mamar ou interagir. “Portanto devemos manter a calma e saber que não há rotina nesta fase, só amor, carinho e intuição. Depois dos quatro meses, com o amadurecimento do ritmo de sono e vigília, pode-se manter uma rotina agradável ao bebê para que ele se acostume e relacione alguns atos com o dormir: luz baixa, voz calma e suave, um novo banho relaxante, uma massagem, uma história”, orienta.

De acordo com a médica, bebês pequenos não “trocam o dia pela noite” até porque tanto faz para eles se é dia ou noite. O que ocorre, na maior parte das vezes, segundo Glaunir, é que os bebês são muito estimulados durante o dia, ficam cansados e têm maior dificuldade para dormir à noite. Ela reforça que quanto melhor dormir um bebê durante o dia melhor irá dormir à noite e lembra que bebês pequenos precisam de 16 a 18 horas de sono, sendo que este sono na maior parte das vezes vai ser picado.

“O que podemos resumir é que neste universo mágico, que é ter um novo bebê em casa, precisamos ter muita paciência, nada de treinamentos e regras rígidas, as mudanças serão lentas. Frustração é uma palavra que devemos nos acostumar neste universo, porém as alegrias serão sempre maiores. Saber reconhecer os sentimentos é uma forma de lidarmos com a irritação do dia a dia e evitar que se transforme em paranoias e punições, onde todos sofrem”, conclui a médica.

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Postado por: Josiane Caitano

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