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Amor de cão

Publicado em 09/10/2019

Ter um animal de estimação pode mudar a rotina das pessoas. Principalmente quando se trata de cães. Entre rabinhos abandando, saltos de felicidade, lambeijos de amor, a capacidade desses bichinhos de transformar o ambiente vai muito além do que possamos imaginar. E isso reflete diretamente no nosso humor, saúde e até mesmo qualidade de vida.


Um estudo realizado por profissionais da Clínica Médico-Psiquiátrica da Ordem, de Portugal, mostrou que um pet pode amenizar as dores de pacientes com depressão que não respondem aos tratamentos médicos convencionais. Outra pesquisa, do periódico científico Journal os Psychiatric Research, revelou que após 12 semanas de convívio com o animal, mais de um terço dos 33 pacientes analisados não tinham mais sintomas suficientes para serem enquadrados com Distúrbio Depressivo Maior (DDM).

Na época em que surgiu a ideia de trazer os cães para dentro dos hospitais, asilos e instituições, não imaginávamos quão transformadora essa experiência poderia ser. E digo isso não apenas para os pacientes que são visitados pelos focinhos do TrapaPet. Me refiro também a nós, voluntários. Aprendemos diariamente com eles. Nesses seis anos de projeto, percebemos que lidar com os animais exige cuidado, dedicação e paciência, mas, ao mesmo tempo, o que recebemos de volta é um amor sem precedentes.

Quando entramos em uma sala acompanhados de nossos cães terapeutas, o clima já se torna outro. As feições apreensivas, aos poucos, vão dando lugar a sorrisos e olhares curiosos. A cada truque – deitar, rolar, dar a patinha, passar por obstáculos – mais agradável fica o ambiente. Quase que instantaneamente, não existem mais problemas impossíveis, dores incuráveis ou tristeza. E durante aquele momento, conseguimos levar um pouco de leveza para aquelas pessoas e transformamos, mesmo que por alguns minutos, a realidade delas.

Sinto um orgulho imenso em fazer parte de um projeto tão transformador e sensível. Mais ainda por conviver com esses animais que, hoje, carregam uma responsabilidade imensa de cura. Afinal, se o amor é capaz de coisas incríveis, imagine quando ele vem da pureza de um cão. 
 

*Doutores em besteirologia que buscam transformar a rotina de quem está em tratamento. É assim que trabalham os voluntários do Trapamédicos, organização sem fins lucrativos que há mais de uma década atua em Blumenau (SC). Os palhaços de hospital levam semanalmente um clima de descontração para os pacientes que visitam e alertam: eles não querem fazer rir, mas deixar o dia a dia de quem passa por situações difíceis um pouco melhor e mais leve. Em 2013 o projeto ganhou uma vertical: o Trapapet, em que os cães dos voluntários são treinados para realizarem visitas no Asilo São Simeão e também à Ala Psiquiátrica do Hospital Santa Catarina.

 

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Artigo escrito por Marília Prado, coordenadora do TrapaPet

Créditos foto: Divulgação

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